Lembre-se!

Diariamente atendo pessoas com queixa de esquecimento, preocupação com prejuízo da memória e, principalmente, com medo da Doença de Alzheimer. Mas, antes de escrever sobre isso, quero contar a história da Dona Ana:
Certo dia, nos seus 72 anos, ela perdeu as chaves do carro, olhou no chaveiro e na sua bolsa e não as encontrou. Depois acabou encontrando numa prateleira. No mesmo dia esqueceu o nome do seu vizinho e ficou muito constrangida. A sua memória tem pregado peças e ela está preocupada. Resolveu consultar um médico e fez vários exames. O médico disse que ela estava bem, sendo esse esquecimento parte do envelhecimento normal e sugeriu que praticasse caminhada, jogasse cartas com amigos, fizesse alguma aula ou algum trabalho voluntário e mantivesse alimentação saudável.
Será que esses fatos acontecem com mais alguém? Certamente. A importância desse episódio tão frequente é mostrar que existe uma mudança na memória compatível com o envelhecimento normal e que nem sempre trata-se de doença. Com os passar dos anos é normal que a memória fique mais lenta, ou seja, aprender novas atividades, lembrar-se de palavras ou mesmo achar os óculos vai levar mais tempo. A Dona Ana não está doente, mas com certeza aos 20 anos era mais fácil.
Mas a história tem uma parte importante. Ela foi ao médico, foi avaliada e fez exames. Por mais que possa haver sintomas relacionados ao envelhecimento normal, é sempre fundamental que o idoso mantenha acompanhamento com profissional de saúde regularmente e que as queixas sejam expostas para serem avaliadas. E neste caso ela recebeu orientações importantes, que estão de acordo com o que as pesquisas têm mostrado. A atividade física, a escolha por alimentos saudáveis, o trabalho voluntário, jogar cartas ou xadrez com amigos favorecem o bom funcionamento da memória e a prevenção das demências. Alguns pesquisadores costumam dizer que à partir de uma certa idade, ou trabalhamos a memória ou a perdemos. Manter a mente e o corpo ativo é o que temos hoje em termos de prevenção de doenças, especialmente as do cérebro.
Algumas características da perda de memória são mais preocupantes, como aquelas em que as atividades do dia-a-dia ficam prejudicadas. Por exemplo, o trabalho não consegue mais ser realizado como era antes, os cuidados pessoais e da casa ficam prejudicados, as atividades antes simples podem se tornar cada vez mais difíceis, como o preparo de alimentos e o uso de transporte público, além do gerenciamento das contas. Essas modificações alertam para a possibilidade de uma síndrome demencial, ou demência, que pode ser reversível ou não. É necessária a avaliação médica para o diagnóstico e o tratamentos precisos. O médico pode fazer testes cognitivos no próprio consultório e solicitar exames laboratoriais e de imagens cada vezes mais detalhados hoje em dia. Em alguns casos, podem ser solicitados exames de líquor e tomografia por emissão de pósitrons (PET) para esclarecimento diagnóstico, especialmente do Doença de Alzheimer, o tipo mais comum de demência.
Cuide-se bem, mantenha os bons hábitos e reduza a sua chance de ter demências.



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